Por que repetimos relacionamentos que sabemos que nos fazem mal?

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Você já percebeu que está vivendo, novamente, uma história que prometeu a si mesma que nunca mais viveria?

Talvez você reconheça os sinais. Sabe que aquela relação machuca, percebe que está se anulando, mas, mesmo assim, sente dificuldade de ir embora.

Então surge a culpa:

“Por que eu faço isso comigo?”

Antes de se julgar, talvez seja importante olhar para essa pergunta com mais carinho.

Você não permanece em uma relação que machuca porque gosta de sofrer. Muitas vezes, existem medos, necessidades emocionais e experiências anteriores que ajudam a compreender por que algumas relações se tornam tão difíceis de deixar.

O familiar pode parecer amor

Nem sempre escolhemos aquilo que nos faz bem. Às vezes, escolhemos aquilo que, de alguma forma, nos é familiar.

Ao longo da vida, podemos aprender a amar tentando agradar, esperando mudanças, cuidando excessivamente do outro ou sentindo que precisamos provar nosso valor para sermos escolhidas.

Por isso, quando encontramos uma relação mais tranquila, recíproca e segura, ela pode até parecer estranha.

É importante, então, diferenciar algumas coisas:

intensidade não é necessariamente amor.

Uma relação marcada por insegurança, afastamentos, reconciliações e medo de perder pode provocar emoções muito fortes. Ainda assim, intensidade emocional não significa, necessariamente, que estamos vivendo uma relação saudável.

Quando o medo de ficar sozinha fala mais alto

Em determinados momentos, permanecer pode parecer menos assustador do que partir.

Existe o medo da solidão.
O medo de se arrepender.
O medo de não encontrar outra pessoa.
O medo de começar novamente.

Assim, pouco a pouco, podemos aceitar situações que jamais aceitaríamos para alguém que amamos.

Por isso, talvez a pergunta não precise ser apenas:

“Por que eu não consigo ir embora?”

Talvez também seja necessário perguntar:

“O que eu temo encontrar quando essa relação terminar?”

Essa mudança de pergunta pode trazer novas possibilidades de compreensão.

O que está sendo repetido?

Na Psicologia Analítica, buscamos compreender também aquilo que acontece de maneira inconsciente.

Às vezes, não repetimos exatamente a mesma pessoa.

Repetimos um lugar dentro das relações.

O lugar de quem sempre compreende.
De quem espera.
De quem perdoa.
De quem tenta salvar.
De quem oferece muito e aceita pouco para não perder o outro.

Quando esse padrão começa a ser percebido, algo pode mudar.

Não porque você deva se culpar pelo que viveu, mas porque reconhecer um padrão é o primeiro passo para construir uma escolha diferente.

É possível construir uma nova história

Romper um padrão não significa simplesmente encontrar alguém diferente.

Antes disso, significa aprender a se escutar.

Significa reconhecer seus limites, perceber suas necessidades e compreender o que você realmente deseja viver em uma relação.

Aos poucos, torna-se possível não confundir amor com sofrimento, nem reciprocidade com cobrança.

Você não precisa se abandonar para manter alguém ao seu lado.

Talvez a transformação comece quando você deixa de perguntar:

“O que preciso fazer para que essa pessoa fique?”

E começa a perguntar:

“Como eu me sinto quando estou nessa relação?”

Essa pergunta pode abrir uma porta importante.

Olhar para si também é um ato de cuidado

Nem sempre conseguimos compreender nossos padrões sozinhos.

Algumas histórias carregam experiências antigas, medos profundos e formas de se relacionar que foram construídas ao longo do tempo.

Por isso, olhar para si não significa encontrar culpados.

Significa compreender.

Significa reconhecer o que precisa ser elaborado e, a partir disso, descobrir novas maneiras de se posicionar diante do outro e, principalmente, diante de si mesma.

Você não precisa ter todas as respostas agora.

Algumas histórias precisam primeiro ser compreendidas para, então, poderem ser transformadas.

A psicoterapia pode ser um espaço para esse processo

Na psicoterapia, você pode encontrar um espaço seguro para olhar para sua história sem julgamento, compreender padrões que se repetem e construir novas possibilidades de relacionamento consigo mesma e com o outro.

Porque mudar não significa deixar de ser quem você é.

Talvez signifique, finalmente, deixar de se abandonar para ser amada.

Você não precisa continuar carregando isso sozinha.

Agende sua sessão e dê o primeiro passo em direção a uma vida com mais equilíbrio e sentido.

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